
QUEM FOI CHARLES CHAPLIN?
Charles Chaplin foi o artista do sorriso, da docilidade, dos gestos pequenos e da grandeza de coração. Há um texto de sua autoria traduzido para o português que diz mais ou menos assim: Hei, você, sorria! Mas não se esconda atrás desse sorriso. Mostre aquilo que você é, sem medo. Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu. Viva! Tente! Ame acima de tudo; ame a tudo e a todos. Não faça dos defeitos uma distância, e sim uma aproximação. Aceite a vida, as pessoas. Faça delas a sua razão de viver. Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você. Não as reprove. Hei! Olhe! Olhe à sua volta quantos amigos! Você já tornou alguém feliz hoje, ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo? Hei! Não corra! Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você. Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga. Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela. Chore! Lute! Faça aquilo que gosta - sinta o que há dentro de você. Hei! Ouça! Escute o que as outras pessoas têm a dizer. É importante! Suba! Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo - mas não esqueça daqueles que nunca conseguem subir a escada da vida. Hei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você. Procure acima de tudo ser gente. Eu também vou tentar. Hei, você. Não vá embora. Eu preciso lhe dizer que... Gosto de você, simplesmente porque você existe! O poeta dos sorrisos, o criador de Carlitos, das cenas inesquecíveis de "Luzes da ribalta", de "O garoto", de "O grande ditador", acreditava que a humanidade precisava sentir mais do que pensar. Há um pensamento dele dizendo assim: "pensamos em demasia, e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade." O homem enigmático, talvez um tanto triste, por trás do personagem cômico, brilhou no mundo do cinema, mas também irradiou muita luz para o mundo dos homens. "Coragem! Não se entregue! Sempre há uma esperança" - disse ele, levando aos solitários, aos sofredores, um pouco de alento, de confiança, de graça na vida, quem sabe. Chaplin foi o menino pobre que, passando de orfanato em orfanato, não esquecia o seu dom ¿ o de representar, vindo da herança da mãe, a arte da pantomima. Foi a criança que cedo viu a mãe acolhida pela insanidade mental, certamente fruto das privações em que ela, Hanna Chaplin, e os filhos, viviam. Foi o homem que fez o cinema de uma época, o cinema de um século rir das atrapalhadas de um certo Carlitos, e com isso trouxe alegria ao mundo. Ouçamos seus conselhos e jamais deixemos de sorrir, de ter esperança nas pessoas, e em nós mesmos. "Hei, você, sorria! Mas não se esconda atrás desse sorriso."
Fonte: www.omacaco.blogger.com.br/
TEMPOS MODERNOS
Este é o primeiro filme, em que Chaplin utiliza o som, mas mantendo características do cinema mudo. No filme Tempos Modernos, Charles Chaplin faz uma crítica às transformações sociais e culturais advindas da segunda revolução industrial e o modo de produção fabril nas primeiras décadas do século XX.
O filme começa mostrando Carlitos (personagem de Chaplin) trabalhando como operário numa típica fábrica de linha de montagem. O processo repetitivo do movimento de apertar os parafusos das peças com uma chave de rosca faz com que o personagem fique estressado e passe a repetir aquele movimento o tempo todo. Esta primeira parte do filme possui a cena que certamente é uma das mais brilhantes metáforas da vida moderna. É quando Carlitos atrapalhadamente é sugado para dentro das engrenagens da máquina, uma clara advertência (e porque não dizer também, uma previsão) do que estava acontecendo com o homem, sendo sugado para dentro da maquina do sistema capitalista, se tornando parte dele, mas de uma forma desumana, robótica, como se fosse apenas mais uma de suas engrenagens. Nas cenas da fabrica percebemos também a crítica que Chaplin faz ao controle do tempo. O homem se torna escravo do relógio, tendo seu tempo exato para o trabalho, e para as pausas, que, aliás, são reduzidas cada vez mais, e até mesmo numa tentativa de eliminá-la por completo, como na cena em que o dono da fábrica faz o teste de uma máquina que permite que seus operário comam enquanto ainda estão trabalhando. É a utilização da tecnologia pra sistematizar cada vez mais o tempo. Outra situação que Chaplin antecipa nesta parte do filme é a constante vigilância. O dono observa tudo o que acontece em sua fabrica através de um sistema interno de vídeo, como se fosse o Big Brother de George Orwell. Sofrendo de stress, Carlitos vai parar numa clínica de reabilitação. Quando sai de lá, encontra uma situação de total desemprego, devido a grande depressão que se seguiu após a quebra da bolsa em 1929. De volta as ruas, ele acaba acidentalmente sendo confundido com um líder comunista e é preso. Aqui vemos um dos poucos momentos em que a crítica de Chaplin se volta para o socialismo ao invés do capitalismo. Apesar de ter sido acusado diversas vezes de comunista, principalmente durante o macarthismo, Chaplin não se considerava um comunista, alegando que na verdade era um humanista. Na prisão temos uma grande ironia. No momento em que será solto, Carlitos diz ao delegado que prefere continuar na prisão. É como se ele se sentisse mais livre lá dentro, do que no mundo lá de fora. Mas ele tem que seguir a regras do sistema, e acaba saindo da prisão. Lá fora ele irá conhecer uma moça órfã que irá desencadear a segunda parte do filme, onde a crítica se volta para o modo de vida burguês com o seu ideal de família, com o homem provedor, que trabalha fora para sustentar a esposa e os filhos, e a mulher dona de casa, protetora do lar. E aqui também cabe o ideal de casa, recheada com os mais modernos eletrodomésticos. Esse ideal é alcançado pelos dois protagonistas quando Carlitos vai trabalhar como segurança na loja de departamentos, ainda que de uma forma ilusória. Ali naquela loja estão todos os desejos de consumo do homem e da família moderna. Eletrodomésticos, móveis, e até mesmo os brinquedos, como os patins com que Carlitos se diverte, como se aproveitasse a infância que não pode ter. Eis então que um grupo de assaltantes invade a loja. Um deles, no entanto, é um antigo companheiro de Carlitos na fabrica, e que acabou perdendo seu emprego. Aqui vemos outra crítica de Chaplin, mostrando que o sistema capitalista gera os seus próprios marginais, principalmente porque, por mais contraditório que pareça, aquele que se torna marginal, o faz justamente para poder se ver integrado ao sistema, pois ele possui as mesmas necessidades, e os mesmo desejos de consumo de qualquer outra pessoa. Desejo esse que o sistema capitalista criou nele. Por fim, Carlitos tenta no final do filme, trabalhando como garçom, mais uma vez se integrar ao modo de vida capitalista. Mas ele, diferente da órfã, não se adapta aquela "vida moderna". Coincidentemente, ou não, este seria o último filme que Chaplin utilizaria o seu personagem clássico, o que reforça ainda mais a mensagem do fim do filme, de que o mundo de hoje não tem lugar para um venturoso vagabundo.
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O filme começa mostrando Carlitos (personagem de Chaplin) trabalhando como operário numa típica fábrica de linha de montagem. O processo repetitivo do movimento de apertar os parafusos das peças com uma chave de rosca faz com que o personagem fique estressado e passe a repetir aquele movimento o tempo todo. Esta primeira parte do filme possui a cena que certamente é uma das mais brilhantes metáforas da vida moderna. É quando Carlitos atrapalhadamente é sugado para dentro das engrenagens da máquina, uma clara advertência (e porque não dizer também, uma previsão) do que estava acontecendo com o homem, sendo sugado para dentro da maquina do sistema capitalista, se tornando parte dele, mas de uma forma desumana, robótica, como se fosse apenas mais uma de suas engrenagens. Nas cenas da fabrica percebemos também a crítica que Chaplin faz ao controle do tempo. O homem se torna escravo do relógio, tendo seu tempo exato para o trabalho, e para as pausas, que, aliás, são reduzidas cada vez mais, e até mesmo numa tentativa de eliminá-la por completo, como na cena em que o dono da fábrica faz o teste de uma máquina que permite que seus operário comam enquanto ainda estão trabalhando. É a utilização da tecnologia pra sistematizar cada vez mais o tempo. Outra situação que Chaplin antecipa nesta parte do filme é a constante vigilância. O dono observa tudo o que acontece em sua fabrica através de um sistema interno de vídeo, como se fosse o Big Brother de George Orwell. Sofrendo de stress, Carlitos vai parar numa clínica de reabilitação. Quando sai de lá, encontra uma situação de total desemprego, devido a grande depressão que se seguiu após a quebra da bolsa em 1929. De volta as ruas, ele acaba acidentalmente sendo confundido com um líder comunista e é preso. Aqui vemos um dos poucos momentos em que a crítica de Chaplin se volta para o socialismo ao invés do capitalismo. Apesar de ter sido acusado diversas vezes de comunista, principalmente durante o macarthismo, Chaplin não se considerava um comunista, alegando que na verdade era um humanista. Na prisão temos uma grande ironia. No momento em que será solto, Carlitos diz ao delegado que prefere continuar na prisão. É como se ele se sentisse mais livre lá dentro, do que no mundo lá de fora. Mas ele tem que seguir a regras do sistema, e acaba saindo da prisão. Lá fora ele irá conhecer uma moça órfã que irá desencadear a segunda parte do filme, onde a crítica se volta para o modo de vida burguês com o seu ideal de família, com o homem provedor, que trabalha fora para sustentar a esposa e os filhos, e a mulher dona de casa, protetora do lar. E aqui também cabe o ideal de casa, recheada com os mais modernos eletrodomésticos. Esse ideal é alcançado pelos dois protagonistas quando Carlitos vai trabalhar como segurança na loja de departamentos, ainda que de uma forma ilusória. Ali naquela loja estão todos os desejos de consumo do homem e da família moderna. Eletrodomésticos, móveis, e até mesmo os brinquedos, como os patins com que Carlitos se diverte, como se aproveitasse a infância que não pode ter. Eis então que um grupo de assaltantes invade a loja. Um deles, no entanto, é um antigo companheiro de Carlitos na fabrica, e que acabou perdendo seu emprego. Aqui vemos outra crítica de Chaplin, mostrando que o sistema capitalista gera os seus próprios marginais, principalmente porque, por mais contraditório que pareça, aquele que se torna marginal, o faz justamente para poder se ver integrado ao sistema, pois ele possui as mesmas necessidades, e os mesmo desejos de consumo de qualquer outra pessoa. Desejo esse que o sistema capitalista criou nele. Por fim, Carlitos tenta no final do filme, trabalhando como garçom, mais uma vez se integrar ao modo de vida capitalista. Mas ele, diferente da órfã, não se adapta aquela "vida moderna". Coincidentemente, ou não, este seria o último filme que Chaplin utilizaria o seu personagem clássico, o que reforça ainda mais a mensagem do fim do filme, de que o mundo de hoje não tem lugar para um venturoso vagabundo.
ATIVIDADE
As professoras Nilva ( EJA I ) Vera Regina ( EJA II ) após a exibição do filme realizaram um amplo debate com as suas turmas, tendo como mediadora a Professora Ana Rita Batista, graduada em História, da Escola Maria de Lurdes que foi convidada para dialogar com os alunos os aspectos históricos do filme e sua co-relação com o mundo atual. O produto final desta atividade foi um painel com as idéias principais como comunicação não-verbal do personagem Carlitos vivido por Charles Chaplin através da sua mensagem, na fábrica, nas ruas, na identificação do opressor e do oprimido, no enfrentamento do desemprego, na associação entre as cenas do filme Tempos Modernos e artigos da ‘Declaração Universal dos Direitos Humanos’ percebidas pelos alunos das etapas de pré e pós alfabetização.
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